Brasil Fim da escala 6x1
Fim da Escala 6x1: Quem são os deputados que assinaram emenda para adiar mudança?
Deputado apresenta proposta para adiar mudança para 2036 e permitir jornada de até 52 horas
20/05/2026 16h10
Por: Redação
Reprodução

A discussão nacional sobre o fim da escala 6x1 ganhou um novo e polêmico capítulo na Câmara dos Deputados. Uma emenda protocolada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) e assinada por outros 175 parlamentares propõe adiar a redução da jornada de trabalho por dez anos, abrir brechas para que a carga semanal chegue a 52 horas e cortar pela metade a contribuição do FGTS para empresas que aderirem ao modelo.

A proposta gerou forte reação popular e nas redes sociais, fazendo com que diversos deputados voltassem atrás e retirassem suas assinaturas do texto. Para compreender o impacto real dessa medida, o Assis Informa preparou um guia didático explicando o que muda com a emenda, em qual fase o processo está e quem são os políticos envolvidos.

O que propõe a Emenda que adia o fim da 6x1?

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) original busca extinguir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. No entanto, a Emenda 01/2026, apresentada pelo bloco do Centrão, altera profundamente esse objetivo através dos seguintes pontos:

 Adiantamento para 2036: A redução da jornada não seria imediata. Cria-se uma transição de 10 anos após a publicação da lei para que a mudança passe a valer.

 Dependência de nova lei: Mesmo após os 10 anos, o fim da escala 6x1 dependeria da aprovação de uma Lei Complementar. Até que essa lei seja feita, continua valendo o teto atual de 44 horas semanais.

 Jornada de até 52 horas: O texto fixa a jornada normal em 40 horas semanais, mas permite que acordos individuais ou coletivos aumentem esse limite em até 30%. Na prática, abre-se uma brecha para jornadas de até 52 horas por semana.

 Exceções para serviços essenciais: Setores ligados à saúde, segurança, mobilidade, abastecimento e infraestrutura crítica ficam de fora da redução e podem manter a jornada de 44 horas permanente.

 Compensação e corte de FGTS: Como contrapartida aos patrões, a emenda prevê uma redução de 50% na contribuição do FGTS dos trabalhadores e deduções fiscais para os empregadores.

Entenda o processo: Em que pé estamos?

Para que o cidadão entenda como funciona a tramitação de uma mudança na Constituição, dividimos o processo nas suas fases principais. Atualmente, o projeto está na Fase 2.

Fase 1: Coleta de assinaturas (Concluída)

Para começar a tramitar, uma PEC precisa do apoio inicial de pelo menos 171 deputados. A proposta do fim da escala 6x1 conseguiu esse número e avançou.

Fase 2: Análise na Comissão Especial (Fase Atual)

A proposta está sendo debatida dentro de uma Comissão Especial na Câmara (especificamente analisando a PEC 221/2019). É justamente nesta fase que os deputados podem apresentar "emendas" — que são sugestões de alteração, endurecimento ou abrandamento do texto original. Foi aqui que o deputado Sérgio Turra inseriu a emenda para adiar a transição por dez anos.

Fase 3: Votação no Plenário (Próxima Etapa)

Depois que a Comissão Especial votar o parecer final do relator, o texto segue para o Plenário da Câmara. Por se tratar de uma alteração na Constituição, precisará ser aprovado em dois turnos por, no mínimo, 308 deputados, antes de seguir para o Senado.

Quem são os 176 deputados que assinaram a favor do adiamento?

Abaixo, o Assis Informa lista nominativamente todos os parlamentares que registraram apoio formal à Emenda 01/2026, divididos por seus respectivos estados:

Acre (AC)

 Coronel Ulysses (União Brasil)

 Zezinho Barbary (PP)

 Roberto Duarte (Republicanos)

 Meire Serafim (União Brasil)

Alagoas (AL)

 Delegado Fabio Costa (PP)

Amazonas (AM)

 Fausto Jr. (União Brasil)

Amapá (AP)

 Aline Gurgel (União Brasil) [Recuou]

Bahia (BA)

 Capitão Alden (PL)

 Arthur Oliveira Maia (União Brasil) [Recuou]

 José Rocha (União Brasil)

 Roberta Roma (PL) [Recuou]

 João Carlos Bacelar (PL)

 Paulo Azi (União Brasil)

 Diego Coronel (Republicanos)

 Claudio Cajado (PP) [Recuou]

Ceará (CE)

 Fernanda Pessoa (PSD) [Recuou]

 AJ Albuquerque (PP) [Recuou]

 Danilo Forte (PP)

 Dr. Jaziel (PL)

 Luiz Gastão (PSD)

Distrito Federal (DF)

 Alberto Fraga (PL)

 Bia Kicis (PL)

Espírito Santo (ES)

 Evair Vieira de Melo (Republicanos)

 Messias Donato (União Brasil)

 Da Vitoria (PP)

 Amaro Neto (PP)

Goiás (GO)

 Dr. Zacharias Calil (MDB)

 Célio Silveira (MDB)

 José Nelto (União Brasil)

 Marussa Boldrin (Republicanos)

 Daniel Agrobom (PSD)

 Gustavo Gayer (PL)

 Dr. Ismael Alexandrino (PSD)

 Magda Mofatto (PL)

 Adriano do Baldy (PP)

 Glaustin da Fokus (Podemos)

Maranhão (MA)

 Josivaldo JP (União Brasil)

 Aluisio Mendes (Republicanos)

 Márcio Honaiser (Solidariedade)

 Hildo Rocha (MDB)

Minas Gerais (MG)

 Newton Cardoso Jr (MDB)

 Ana Paula Leão (PP)

 Rafael Simões (União Brasil)

 Mauricio do Vôlei (PL)

 Zé Vitor (PL)

 Greyce Elias (PL)

 Lafayette de Andrada (PL)

 Domingos Sávio (PL)

 Junio Amaral (PL)

 Rosângela Reis (PL)

 Hercílio Coelho Diniz (MDB)

 Mário Heringer (PDT) [Recuou]

 Marcelo Álvaro Antônio (PL)

 Pinheirinho (PP)

 Lincoln Portela (PL)

 Gilberto Abramo (Republicanos)

 Luiz Fernando Faria (União Brasil)

 Zé Silva (União Brasil)

 Diego Andrade (PSD)

 Nikolas Ferreira (PL)

Mato Grosso do Sul (MS)

 Dr. Luiz Ovando (PP)

 Beto Pereira (Republicanos)

 Marcos Pollon (PL)

 Rodolfo Nogueira (PL)

Mato Grosso (MT)

 Juarez Costa (Republicanos)

 Rodrigo da Zaeli (PL)

 Nelson Barbudo (Podemos)

 José Medeiros (PL)

 Coronel Fernanda (PL)

 Fabio Garcia (União Brasil)

Pará (PA)

 Joaquim Passarinho (PL)

 Henderson Pinto (União Brasil) [Recuou]

Paraíba (PB)

 Cabo Gilberto Silva (PL)

Pernambuco (PE)

 Pastor Eurico (PSDB)

 Augusto Coutinho (Republicanos)

 Clarissa Tércio (PP)

 Coronel Meira (PL)

 Fernando Coelho Filho (União Brasil)

Piauí (PI)

 Átila Lira (PP)

 Julio Arcoverde (PP)

Paraná (PR)

 Pedro Lupion (Republicanos)

 Sergio Souza (MDB)

 Tião Medeiros (PP)

 Luisa Canziani (União Brasil)

 Toninho Wandscheer (PP)

 Luiz Carlos Hauly (Podemos)

 Felipe Francischini (Podemos)

 Padovani (PP)

 Dilceu Sperafico (PP)

 Luiz Nishimori (PSD)

 Geraldo Mendes (União Brasil)

 Paulo Litro (União Brasil)

 Beto Richa (PSDB)

 Vermelho (PL)

 Sargento Fahur (PL)

Rio de Janeiro (RJ)

 Dr. Flávio (PL)

 Chris Tonietto (PL)

 Julio Lopes (PP)

 Luiz Lima (Novo)

 Carlos Jordy (PL)

 Hugo Leal (PSD)

 Sóstenes Cavalcante (PL)

 Laura Carneiro (PSD) [Recuou]

 Max Lemos (PDT/União) [Recuou]

 Murillo Gouvea (PSDB)

 Luciano Vieira (PSDB) [Recuou]

 Bebeto (PP) [Recuou]

 Jorge Braz (Republicanos)

 Daniela do Waguinho (Republicanos) [Recuou]

 Doutor Luizinho (PP)

Rio Grande do Norte (RN)

 General Girão (PL)

 Sargento Gonçalves (PL)

 João Maia (PP)

Rondônia (RO)

 Lucio Mosquini (PL)

 Coronel Chrisóstomo (PL)

 Dr. Fernando Máximo (PL)

 Thiago Flores (União Brasil)

 Rafael Fera (Podemos) [Recuou]

Roraima (RR)

 Pastor Diniz (União Brasil)

 Nicoletti (PL)

Rio Grande do Sul (RS)

 Sérgio Turra (PP) - Autor da emenda

 Alceu Moreira (MDB)

 Afonso Hamm (PP)

 Any Ortiz (PP)

 Pedro Westphalen (PP)

 Mauricio Marcon (PL)

 Sanderson (PL)

 Bibo Nunes (PL)

 Luiz Carlos Busato (União Brasil)

 Giovani Cherini (PL)

 Marcelo Moraes (PL)

 Marcel van Hattem (Novo)

 Lucas Redecker (PSD)

 Osmar Terra (PL)

 Franciane Bayer (Republicanos)

Santa Catarina (SC)

 Cobalchini (MDB)

 Jorge Goetten (Republicanos)

 Daniela Reinehr (PL)

 Caroline de Toni (PL)

 Daniel Freitas (PL)

 Pezenti (MDB)

 Julia Zanatta (PL)

 Zé Trovão (PL)

 Geovania de Sá (Republicanos)

 Ismael (PL)

 Gilson Marques (Novo)

 Carlos Chiodini (MDB)

 Ricardo Guidi (PL)

Sergipe (SE)

 Rodrigo Valadares (PL)

 Gustinho Ribeiro (PP) [Recuou]

São Paulo (SP)

 Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL)

 Vitor Lippi (PSD)

 Adilson Barroso (PL)

 Delegado Paulo Bilynskyj (PL)

 Marangoni (Podemos)

 Simone Marquetto (PP)

 Celso Russomanno (Republicanos)

 Adriana Ventura (Novo)

 Arnaldo Jardim (Cidadania)

 Ricardo Salles (Novo)

 Marco Feliciano (PL)

 Missionário José Olimpio (PL)

 Mauricio Neves (PP)

 Vinicius Carvalho (PL)

 Mario Frias (PL)

 Rosangela Moro (PL)

 Jefferson Campos (PL)

Tocantins (TO)

 Alexandre Guimarães (MDB)

 Eli Borges (Republicanos)

 Antonio Andrade (PSDB)

 Filipe Martins (PL)

Quem recuou após a pressão popular?

Diante da repercussão amplamente negativa nas bases eleitorais e da mobilização de trabalhadores, um grupo de parlamentares solicitou formalmente a retirada de suas assinaturas do projeto. Até o momento, os deputados que recuaram foram:

1 Roberta Roma (PL-BA)

2 Bebeto (PP-RJ)

3 Laura Carneiro (PSD-RJ)

4 Mário Heringer (PDT-MG)

5 Claudio Cajado (PP-BA)

6 Rafael Fera (Podemos-RO)

7 Luciano Vieira (PSDB-RJ)

8 Henderson Pinto (União-PA)

9 Daniela do Waguinho (Republicanos-RJ)

10 Eunício Oliveira (MDB-CE)

11 Aline Gurgel (União-AP)

12 Gustinho Ribeiro (PP-SE)

13 Fernanda Pessoa (PSD-CE)

14 AJ Albuquerque (PP-CE)

15 Arthur Oliveira Maia (União-BA)

16 Max Lemos (União-RJ)